Artesanato x Industria 20/07/2006

Na evolução do nosso esporte, o homem já experimentou diversas maneiras de se fazer o boomerang. Já usou pedra lascada, passou pelas serras e hoje investe em técnicas mais avançadas. Apesar disso, nada mudou nos princípios que regem a fabricação de boomerang artesanal.

Até pouco tempo atrás, o metodo mais utilizado para se fazer boomerang comerciais consistia em riscar o formato do modelo na madeira, cortar e depois acertar nas lixadeiras para que tivessem uma aparência de quase iguais. Depois desta etapa, fazia-se os shapes (formatos típicos das asas) um a um, com o máximo de regularidade e mantendo os cálculos para que o boomerang executasse seu vôo com precisão e regularidade.

Como a tecnologia envolvida era baseada no trio "serra-lixa-shape", os boomerang atingiam valores agregados altíssimos devido a dificuldade de execução, tempo gasto e baixa quantidade confêccionadas durante todo um dia de trabalho. O preço alto sempre foi um fator que inibiu a popularização do esporte.

A tecnologia foi avançando e chegamos a era das micro-fresas, de altíssima velocidades e acabamento mais rápidos, mas cujo valor agregado do produto final foi alterado devido a quantidade maior de bumerangues construídos durante o dia de trabalho e a parcela maior da população que passou a ser atendida, deixando de ser algo misterioso e vindo a tornar o esporte acessível a todos interessados.

GABARITOS
A existencia de pequenos furinhos minúsculos na parte posterior do boomerang, que causam tanta curiosidade em alguns clientes, nada mais representa do que a iniciativa dos fabricantes que adotaram as fresas (ou tupias) para que os boomerang produzidos tenham sempre o mesmo tamanho. A utilização de um gabarito para fazer apenas a forma básica do modelo elimina irregularidades de tamanhos de um mesmo modelo. Isso gera um padrão de qualidade que torna o produto comercializável a preços mais baixos e com padronização que permite que ele seja usado em brindes e outras campanhas de marketing.

Quanto à forma de fazer o shape dos bumerangues (as curvas nas superfícies das asas que geram os fenômenos físicos), este continua o mesmo, assim como era na época dos aborígenes: nada foi alterado. As curvas existentes nas superfícies das asas são produzidas de forma artesanal, mesmo sendo construidos em grandes quantidades para brindes ou outras finalidades. Não cabe aqui aumento de custos como afirma a concorrência, pois se o contorno do modelo na madeira for feito a laser ou com fresas, o trabalho é igual, mudam se apênas o tempo de corte ,mais rapido ou mais lento, com os custo permanecendo semelhantes.

E vamos além disso: fazer o boomerang com três furinhos atrás ou sem furo passou a ser uma opção do fabricante bastando para isso abaixar ou levantar a ferramenta. A utilização destes gabaritos para se fazer a forma básica se deve também ao fato que estas ferramentas trabalham com velocidades de aproximadamente 25.000 a 40.000rpm e qualquer descuido causa acidentes gravíssimos. Prevenir não aumenta custos. Pelo contrário, elimina despesas.

As matérias primas hoje disponíveis no mercado permitem fazer boomerang com altíssima qualidade a preços razoáveis, não cabendo aumento de custo desproporcionais como uma empresa do ramo quer fazer os consumidores acreditarem.

Nós da Free Flyght não abrimos mão da qualidade de nossos produto e preços imbatíveis, sempre utilizamos matéria prima de alta qualidade aliadas às tecnologias existentes e preços justos e ainda guardamos a construção das formas de nossos boomerang totalmente artesanal. É preciso saber usar as tecnologia do nosso tempo, mas não para fazer propaganda ou doutrinar clientes nos sites, mas para produzir produtos com preços acessíveis que tornem o boomerang uma paixão realmente popular e ''jamais um esporte de elite''.

Teixeira Curti


                      

      

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